Posts de Fevereiro, 2007|Página de posts mensais

Milícias

Na boa, qual a diferença entre a milícia do Rio e essas empresinhas de segurança que se espalham por aí?

Ao que parece, as milícias cobram menos… http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u132255.shtml

Ok, as milícias são ilegais e mais violentas. Mas o casa é que o princípio é o mesmo, eu também me sinto pressionado a pagar o segurança e já ouvi histórias que dizem que há acordo com os ladrões. Quem não paga, é roubado; ou é roubado com mais violência.

O império do médio

Daqui

“The front page of Digg is an amalgamation of preferences. Digg doesn’t produce original content, but it does have something of a symbiotic relationship with major news organizations. Without the content from news outlets, there is no Digg. In turn, as Digg began to expand in June 2006 — adding topics like politics, sports, and entertainment — it became clear that being a top Digger gave one the power to drive a significant amount of Web traffic back to those news outlets. On any given day a front-page story on Digg can send an extra ten thousand to fifteen thousand visitors to a site (one editor told me a photo gallery posted on Digg generated 75,000 extra page views). This helps sell advertising. While Digg keeps contributors’ identities anonymous, an August 14 Business Week article estimated that 94 percent of Digg’s users are “male; more than half are IT types in their 20s and 30s making $75,000 or more. It’s a demographic advertisers lust after.”

Ou seja…

“A primeira página do Digg é um amálgama de preferências. O digg não produz conteúdo mas tem meio que uma relação simbólica com as grandes empresas de notícias. Sem o conteúdo delas, não tem digg. Por sua vez, assim que o digg passou a se expandir, em junho do ano passado – adicionando tópicos como política, esportes e entretenimento – foi ficando claro que ser um top digger dá o poder a esse sujeito de direcionar uma porção significativa de tráfego web para essas empresas-fonte. Em um dia comum uma primeira página no digg pode direcionar um extra de 10 a 15 mil visitantes ao site (um editor me disse que uma galeria de fotos postada no digg gerou 75 mil page views extras). Isso ajuda a vender anúncios. Enquanto o digg mantém seus contribuintes como anônimos, um artigo da Business Week estimou que 94% dos usuários do digg são homens, fazem o tipo TI (tecnologia da informação, gostam de computadores), estão em seus 20 ou 30 anos e ganham 75 mil dólares por ano ou mais. It’s a demographic advertisers lust after (po, não sei o que quer dizer isso, é o sonho dos anunciantes?)”

democracia web: essa merda não vai dar certo…

explicando: um monte de gente usa o digg pra fazer suas indicações (que lucra com o trabalho gratuito dessas pessoas), a qualidade dos indicadores é medida pelo tempo que o sujeito gasta e pela quantidade de pessoas que concorda com esses caras. meio império do gosto médio, né? democracia em estado bruto, daquelas que lincha e persegue minorias? também.

Testando o technorati

WTF: Britney Spears Britney Spears
WTF: 11870 11870
WTF: Myspace Myspace
WTF: Youtube Youtube
WTF: American Idol American Idol
WTF: Antonella Barba Antonella Barba
WTF: Web 2.0 Web 2.0
WTF: Clay Aiken Clay Aiken
WTF: Fowa Fowa
WTF: Joost Joost

ps: inspirado no cata-cornos do dahmer

Metáforas, ah as metáforas… (torrents, compartilhamento)

Estava lendo esta reportagem bacana da Vanity Fair – sobre o Pirate Bay e compartilhamento de arquivos – e me veio uma metáfora interessante na cabeça que vou escrever para não esquecer.

Na matéria, diz-se que quanto mais a indústria pressionar, melhor (mais anônimos, rápidos, eficientes etc) serão os programas de compartilhamento (de fato, a coisa evoluiu bastante desde o Napster). Como uma seleção natural, vão surgindo softwares mais adaptados e usuários mais safos. A estratégia, então, da indústria (e desconfio que a Apple já esteja fazendo isso), deveria ser diminuir a pressão e oferecer mais “facilidades”, para que morra a inovação esperta e sobrevivam os usuários lesos, acostumados com programinhas fáceis e que entregam, preferencialmente, o montão de lixo que as gravadoras e estúdios adoram massificar.

Monbiot, Loose Change, é caflito!

Ao lado, sob o título Pogobol, indico o site do filme Loose Change. O título “Eu acredito” é, obviamente, um pouco brincadeira (quesa um “a verdade está lá fora”, que talvez usasse se fosse fã de Arquivo X). Mas o fato é que um cara muito foda, o britânico George Monbiot escreveu duas colunas matadoras, destruindo o filme. Essa é a primeira:

http://www.monbiot.com/archives/2007/02/12/short-changed/

Nessa, ele desmonta a complô denunciada, fala que o filme usa as fontes de maneira canalha, e afirma que o movimento anti-ocupação do Iraque só perde credibilidade ao acreditar nessas bobagens.

Na segunda coluna, ele repete os argumentos de maneira ainda mais virulenta e afirma sua perplexidade com a reação dos comentaristas de seu blog, que o estão chamando de vendido.

Não vi o filme todo (só uns pedaços, ainda não tive saco de ver inteiro porque é cansativo, difícil de acompanhar), mas muito do que ele fala é verdade, falta apuração e a grande sacada é o formato video clip, não muito comum num documentário esquedoso. Mas, ao mesmo tempo, embora o pacote de explicações do filme não satisfaça, não dá pra negar que tem coisa interessante lá, algumas lebres são levantadas e… pô, também não é pra levar tão a sério assim. Talvez esse seja o problema, o filme me parece despretensioso e exploratório, até pela teoria que anuncia, e não é pra ser lido como A grande explicação. Se for lido dessa forma, Monbiot tem razão, mais atrapalha que ajuda.

Na dúvida tô colocando o link para o Monbiot, que eu tinha esquecido, no Pogobol.

Escolas, iPods, Jobs e Outsourcing

Na Wired, um artigo – mais ou menos, não é muito bom – critica a opinião de Steve Jobs sobre as escolas.

Vou traduzir só o trecho mais engraçado (é por isso que o artigo vale):

Jobs knows a lot about schools; he’s been selling computers to them for more than 30 years. But don’t you love it when a billionaire who sends his own kids to private school applies half-baked business platitudes to complex problems like schools? I’m surprised Jobs didn’t suggest we outsource education to the same non-union Chinese factories that build his iPods.

“Jobs sabe muito de escolas; ele tem vendido computadores a elas a mais de 30 anos. Mas você não adora quando um bilionário que manda seus filhos para escolas particulares aplica suas mal-passadas platitudes do mundo dos negócios a problemas complexos como as escolas? Estou surpreso que ele não sugeriu que terceirizássemos nossa educação mas as mesmas fábricas não sindicalizadas em que fabrica seus iPods.”

eheheh. Jobs afirmou que a culpa do ensino ruim das escolas americanas era dos professores sindicalizados.

Cobertura aérea

Até pouco, ninguém reportava muito sobre os aeroportos.

Agora, o rádio dá boletins frequentes, falando de quantos aviões atrasaram etc.

A notícia funciona de duas formas: ouvida sem atenção dá impressão de ser uma continuação da crise aérea, mesmo quando o culpado é a chuva ou as companhias aéreas, cada vez mais desleixadas com os passageiros; se você presta atenção, e saca que não tem a ver com as cagadas do governo, no mínimo nínguem te deixa esquecer que elas aconteceram…

Ingênuo (?)… mas bom. (Sobre web 2.0)

Google Masterplan

Essa do Venter eu não sabia. Altamente preocupante. Muito.

É impressionante como as pessoas tomam as teorias sobre o Google logo como “teoria da conspiração”. Como se dizer “não serás malvado” bastasse.

Nós e o Haiti

Não tenho opinião sobre a presença do Brasil no Haiti. Depois de a merda feita pelos EUA não sei se simplesmente não enviar tropas seria uma boa solução. Talvez tenha sido menos pior assim.

Bom, o lance é que, segundo este link aqui, no dia 7 de fevereiro aconteceu uma manifestação em todo o mundo pela saída das tropas da ONU no Haiti. Até aí tudo bem, mas o texto diz q houve uma marcha de 6 mil pessoas no Brasil:

Rio de Janeiro, Brazil – A demonstration of more than 6,000 youth and students marched through the center of Rio de Janeiro Feb. 1st — with two demands:
1) Immediate withdrawal of all Brazilian UN troops from Haiti! and 2) Demands relating to University reform. The march went to the remains of the old headquarters of the National Students Organization, which was torched by the Brazilian military and paramilitaries and burned to the ground during the US-backed military coup that ousted the democratically elected President Goulart in 1964. That coup resulted in years of repression by the military dictatorship. Many of those same Brazilian military officers were trained by the US military at the School of the Americas, and their brutal traditions live on in the Brazilian-led military occupation of Haiti today.

Tá, foi misturada com algum protesto sobre reforma universitária. Pouco provável que a questão do Haiti tenha sido a principal, provavelmente a direção do movimento misturou a coisa e o povo marchante nem está muito ligado.

Dei uma olhada no google news, procurando notícias sobre o protesto, e não achei nada, parece que a imprensa não comentou. Fica a dúvida se havia mesmo 6 mil pessoas “caminhando e cantando e seguinto a canção”.

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