Transparência e o choro público – um rascunho

A examinar a possibilidade de escrever alguma coisa cruzando isso aqui do P Breton:

“O Homo communicans é um ser sem interior e sem corpo, que vive em uma sociedade sem segredo; um ser totalmente voltado para o social, que só existe através da troca e da informação, em uma sociedade tornada transparente graças às novas “máquinas de comunicação”. Essas qualidades de homem da comunicação, que contribuem para fomentar o ideal do homem moderno, surgem como alternativas à degradação do humano produzida pela tormenta do século XX.

(…)

Entrementes a nova utopia fornece uma metáfora alternativa ao “homem dirigido desde o interior”: “O homem novo”, o homem moderno, é, antes de tudo, um “ser comunicativo”. Seu interior é totalmente exterior. As mensagens que ele recebe não lhe chegam desde uma interioridade mítica mas, ao contrário, de seu “ambiente”. Ele não age, reage, e isso não por meio de uma ação: ele “reage por reação” (é assim que Gregory Bateson define o laço social).

Julio Verne, um dos anunciadores da modernidade, inaugurara por acaso a desestabilização dessa metáfora em uma obra impressionante para a imaginação do século XIX, Viagem ao centro da Terra. Lembremo-nos de que, nessa ficção, o interior do planeta Terra, local ao mesmo tempo totalmente privado e não desprovido de influência sobre a superfície das coisas, entrega seu mistério diante do avanço de uma expedição que, devido ao caráter científico de suas motivações, dispensa qualquer referência em relação a valores e à “vida interior”. O auge do relato ocorre quando nossos exploradores descobrem que o interior é como o exterior. No mundo dos subterrâneos mais profundos que conduzem ao centro da Terra, não se descobre, enfim, mais que lagos, tempestades, animais, em suma : todos os ingredientes da humanidade, ainda que de uma forma um pouco mais arcaica. Perdendo o seu mistério, o interior é “exteriorizado” ´. A partir de então, constrói-se um novo jogo metafórico em torno de uma rede de significações onde a imagem, a forma e a aparência serão cada vez mais valorizados e, sobretudo, onde são os mesmos termos que servirão para descrever o que ocorrer dentro do homem e em seus comportamentos exteriores.”

Juntando essa concepção com o post do A. Curtis

http://www.bbc.co.uk/blogs/adamcurtis/2011/10/the_curse_of_tina_part_two.html

E, do From…to Cyberculture, do Fred Turner, o que fala sobre as políticas hippie/neocomunalistas (que, de alguma forma, surgem no post do Curtis.

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