Battlestar Galactica, Walking Dead (e zumbis em geral)

Algumas anotações comparativas entre Battlestar Galactica e a estrutura geral das histórias contemporâneas sobre zumbis (principalmente WD). Feitas na metade da 2a temporada de BG.

– O cenário geral da história parece estar seguindo por vários pontos das tramas com zumbis: confinamento dos humanos, conflitos e mortes caminhando progressivamente para acontecerem derivadas da brigas entre humanos e não dos não-humanos, descoberta de novos personagens que marcam que a resistência (e os sobreviventes) são mais e maiores do que se esperava.

– A confusão entre o que é e não é humano vai se acirrando também. O racionalismo é tido como uma característica das máquinas, o que também aproxima certos personagens delas. Já algumas máquinas, “emulando” emoções, vão se humanizando na história. Outro componente importante é a religiosidade, explorada de maneira dúbia, ora com escrituras que parecem estar sendo manipuladas pelas máquinas, ora como fonte de humanização a ser usada pelas próprias máquinas em seu aperfeiçoamento e humanização. Já em WD, por outro lado, o que vemos são humanos sendo progressivamente desumanizados por uma brutalidade animal e instintiva (surgem progressivamente assassinos e canibais que, para sobreviverem, distanciam-se pouco dos zumbis). Também o corpo, cada vez mais mutilado, vai se parecendo com o de um zumbi.

– Ainda sobre emoções, o amor vai se tornando importante em BG como própria fonte de sobrevivência. Ele é anunciado como chave para garantir uma procriação biológica dos cylons humanizados. É um viés que ainda está sendo explorado na 2a temporada, vamos ver para onde vai caminhar. Ao mesmo tempo, a sobrevivência dos indivíduos cylon de modelo humano é quase automaticamente garantida pelo upload da consciência momentos antes da morte. Esse upload acontece só nesse momento? Ou significa um monitoramento constante por alguma central? A história é cheia de buracos de roteiro, este pode ser um deles ou algo que vá ser explorado posteriormente.

– Talvez dê para se estabelecer algum tipo de linha que leve do mais racional/matemático/maquínico ao mais instintivo/animalizado, sendo importante a questão da hibridação que vai surgindo pelo caminho como fonte de “resolução” dos conflitos. Uma ponta é puro código (“software não é emoção”, ouvimos direto em BG) a outra é puro corpo: máquina/cylon (central?) – cylon/humanizado – humanos calculistas/intelectuais – humanos guerreiros/apaixonados – humanos assassinos/brutalizados – zumbis (dá para incluir os sentinelas cylon que são puro corpo aqui? pode fechar o ciclo).

– A questão da hibridação máquina – humano – zumbi parece importante para garantir a sobrevivência de alguns personagens ou dos conjuntos das populações. Em WD, é só abdicando um pouco da humanidade (tornando-se um pouco zumbi na crueldade e no corpo) é que se sobrevive. Em BG, só se sobrevive sendo um pouco frio e aceitando-se perdas humanas controladas. Como a história ainda não se fechou pra mim (2a temporada), aparece como sugestão de outra chave de sobrevivência a hibridação concreta na figura dos filhos de cylons e humanos. A ver.

– Atualização dia 23/2. O episódio18 da segunda temporada (BG) é particularmente interessante. Mostra dois cylons reencarnados, em Caprica, mas humanizados por um tipo de hibridação dada pela história e por relacionamentos. É algum tipo inicial de diferenciação entre as máquinas, dado pela história de relações com o outro, com os humanos (ou com outras etnias/culturas?). Elas auxiliam no escape de um humano dedicado a ações terroristas (o ataque ao café ecoa ação palestina em Israel, há inclusive menção a ocupação). Parece que o download/reencarnação é um processo dado apenas pela morte, não um processo de transmissão contínua de informação a uma inteligência coletiva cylon. É obviamente uma menção a algum tipo de ida da alma/código/memória ao céu. Uma das cylons (a #6) a cada episódio se torna mais “religiosa”, desenvolvendo essa religião monoteista em oposição ao politeísmo dos humanos. Está se falando sobre o quê? Sobre algum tipo de evolução cultural ao monoteísmo? Há alguma conexão com a religião tida como mais bárbara dos palestinos? (esse ponto parece nebuloso e enganador demais)

2 comentários sobre “Battlestar Galactica, Walking Dead (e zumbis em geral)

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