Lembro de quando o CQC foi lá e achou que conseguiria fazer uma graça fácil com aquele deputado tão inexpressivo quanto obtuso, que as declarações homofóbicas, machistas e autoritárias eram tão absurdas que o público rejeitaria de imediato com uma gargalhada. Bem, Bolsonaro tá aí e seus seguidores já formam grupinhos vestidos de preto, à moda fascista, e jogam bombas em centros acadêmicos. Antes, marcharam na base entusiasmada do golpe, aquela que tudo indica nem é maioria, mas grita, age e produz efeito de maioria, por puro excesso, pelo ânimo de extremista.

Não fosse a conta bancária e a falta daquele jeito de vendedor carro usado – que Bolsonaro compensa com o militarismo, o que é mais perigoso – seria quase igual ao Trump. É um fenômeno midiático muito parecido. É ridículo, é ofensivo, mas a mídia cobre passivamente. Antes de tudo porque dá audiência. Que se transforma em votos de gente vulnerabilizada por um sistema político corrompido e refém de bilionários interesses.

Na excelente edição, linkada abaixo, do podcast do 538 a discussão é essa: será que algo precisa mudar na cobertura da mídia para que as pessoas tenham noção do perigo?; o quê?; é um momento para rever a postura tradicional do jornalismo?; ou Trump é só uma versão mais crua de algo que os Republicanos já vinham fomentando há anos? E tome vários jornalistas discutindo abordagens e técnicas de abordagens e refletindo sobre a própria profissão.

FiveThirtyEight Elections: On The Media: Trump And Us: 6/11/16 http://c.espnradio.com/s:J1X3L/audio/2790062/fivethirtyeightelections_2016-06-11-094002.64k.mp3?ad_params=zones%3DPreroll%2CPreroll2%2CMidroll%2CMidroll2%2CMidroll3%2CMidroll4%2CMidroll5%2CMidroll6%2CPostroll%2CPostroll2%7Cstation_id%3D4278

Um comentário um pouco paralelo, juntando com a indicação do texto abaixo.

Estive, faz uns 15 dias, no Punk Rock Bownling, um festival de punk em Las Vegas. Entre as minhas expectativas estava acompanhar um pouco da atmosfera das eleições dos EUA, Trump x Clinton x Sanders.

Vi menos que esperava. Alguns banners pró Trump no Arizona, um carro – com placa do Arizona – com um adesivo gigante em Vegas. Discursos anti-Trump onde já se esperava: show do Jello Biafra, do D. O. A., e algumas poucas camisetas pró Sanders espalhadas pelo público e no palco do Flag – a maioria brincando com logo e imagens tradicionais do Black Flag e do Circle Jerks.

Mas talvez o rolê tenha me permitido entender outra questão mais particular, o apoio forte que a Clinton tem recebido de hispânicos e, principalmente, negros, apesar de todas as evidências de sua ligação com o capital financeiro e com a máquina de desestabilização de países e regimes capitaneada recentemente pelo Obama. Sanders, ao contrário, tem se pronunciado contra o papel desempenhado pelos EUA na política internacional, além de bater insistentemente na desigualdade.

Se o clima lá não é de abundância, também não é de depressão econômica como há alguns anos. Clinton parece representar a continuidade do pacto de classes norte-americano, que contém desigualdades, mas produz efeitos muito mais agudos a quem não é cidadão. Enquanto Sanders representaria uma ameaça à essa estabilidade e “prosperidade” da vida cotidiana, por enfrentar os bancos, o sistema financeiro e propor um papel mais conciliador aos EUA no âmbito internacional.

É inegável que os EUA construíram um ambiente simbólico de muito mais inclusão do que o Brasil (estou falando aqui das representações, mídia, publicidade etc, não da vida cotidiana individual que não é possível experienciar). Nesse sentido, ela aponta para mais políticas inclusivas, sem mexer na estrutura de classes e na liderança imperial do país.

O texto da Jacobin é sobre a direita e a esquerda do punk.

https://www.jacobinmag.com/2016/06/punk-green-room-saulnier-skinheads-rar-rac-oi-national-front/

Five subtle ways Facebook could influence the US presidential election this fall — Quartz

Gizmodo’s recent revelation that Facebook has been biasing its trending news feed against conservative political candidates led to a brief firestorm. At the height of the controversy, Republican senator John Thune from South Dakota threatened to hold hearings on the matter. It all quickly led to nothing. Facebook founder Mark Zuckerberg made nice with conservative…

via Five subtle ways Facebook could influence the US presidential election this fall — Quartz