Como lâmpadas podem assistir suas compras no mercado

“Num hipermercado enorme no norte na França as luzes pelos corredores não são o que parecem ser. Elas parecem comuns – mais de uma milha e meia de suportes exalando uma luz brilhante, encobertas por uma grade acima – mas na verdade elas estão piscando mais rápido do que o olho humano pode ver. O padrão único que cada seção individual emite são uma adaptação do século XXI para o código morse, mas não feita para pessoas e sim para as câmeras dos seus telefones.

Se os clientes permitem ao aplicativo da loja o acesso à lente dianteira de seus smartphones o telefone pode acompanhar as luzes e usar a pulsação delas para determinar localização. Fazer isso permite que o aplicativo planeje a melhor rota para uma lista de compras, monitorando as pessoas conforme elas andam pela loja.

(…)”

A tecnologia causa espanto, mas também nossa obsessão em economizar alguns minutos não se perdendo no supermercado.

In an enormous grocery store in northern France, the lights above the aisles aren’t all they seem to be. They look ordinary—more than a mile and a half of fixtures exuding bright light, folded into a grid overhead—but they’re actually flickering faster than the human eye can see. The unique patterns each individual section of…

via How Light Bulbs Watch You Buy Groceries — The Atlantic

 

Qual o peso das notícias falsas na definição da eleição dos EUA?

Trump gastou quase o mesmo em Facebook do que em TV

 

Donald Trump’s campaign spent nearly as much money on Facebook ($56 million) as on TV ($68 million) to defeat Hillary Clinton in the 2016 presidential election. “I wouldn’t have come aboard, even for Trump, if I hadn’t known they were building this massive Facebook and data engine,” Trump campaign CEO Stephen Bannon, who also heads…

via Mark Zuckerberg says fake news on Facebook could not have influenced the 2016 election — Quartz

Faz um tempinho, publiquei esse texto aqui http://outraspalavras.net/posts/internet-territorio-perdido/ brincando com as ideias de ciborgue e zumbi. Basicamente falava sobre dois tipos de comportamento nas redes, um pouco reflexivo, quase automático, que só reproduzia conceitos prontos, repetindo-os à exaustão num movimento de apocalipse zumbi só interessado em se espalhar e contaminar infinitamente. O ciborgue teria dificuldade de se encaixar na estrutura virótica das redes sociais, já que necessitaria de mais dúvidas, mais pensamento e criação. Gera questões e transformação, não dá viral.

Hoje apareceu este texto aqui https://www.technologyreview.com/s/602817/how-the-bot-y-politic-influenced-this-election/ falando que uma pesquisa descobriu que 20% do tráfego gerado no Twitter prévio à eleição dos EUA estava sendo gerado por robôs. Por mimetizarem de uma maneira sofisticada o comportamento humano essas mensagens funcionaram como “matéria prima” de outras tuitadas, feitas por humanos, assim influenciando fortemente o debate. Segundo um dos pesquisadores:

“Esses robôs são mais complexos, utilizando de inteligência artificial para conversar com as pessoas. Eles podem agregar sentimento a uma discussão polarizada, polarizando-a ainda mais. Os robôs mais antigos eram mais fáceis de identificar, mas agora é incrivelmente difícil para um humano fazer uma distinção”.

A palavra usada para caracterizar essas ferramentas é “robô”, mas elas se encaixam e interagem com o comportamento zumbi que comentei no outro texto. É um comportamento que opera por contágio, transforma um debate ponderado e aberto a dúvidas em certezas radicais polarizadas. Um humano vai ter vergonha de ser incoerente, agressivo, obsessivo. Já para a conta robô-zumbi só importa vencer, ganhar a discussão pelo silenciamento do outro ou porque o outro desceu de nível e se transformou em humano-zumbi. É como se a programação do robô contaminasse a do humano, já que nós aprendemos a nos comportar também por imitação.

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Por erro ou por ingenuidade a esquerda liberal, mais focada em costumes e direitos civis, se aliou, no mínimo informalmente, ao neoliberalismo (Clintons). E, com isso, ela passou a ser associada, na cabeça do trabalhador comum, operário, ao sistema, o mesmo sistema que preserva e aumenta as desigualdades econômicas. Com isso vai se queimando e destruindo pontes com quem deveria falar. O efeito é ruim pra todo mundo, pro trabalhador que abraça a opressão, pra essa esquerda que perde a base popular. Tentar descolar desigualdade econômica  do resto (o Sanders não tentou isso) dá merda. Lá e aqui.

Sobre urnas eletrônicas – O Daily Tech News Show é um podcast bem pró tecnologia e pró Vale do Silício. Nessa edição eles discutem porque deve se ter extremo cuidado em adotar urnas eletrônicas e conversam com um professor de ciência da computação sobre o assunto. E a conclusão é que a melhor alternativa é (tambores de suspense): adotar a urna com papelzinho, em que o eleitor vota eletronicamente e vê um comprovante  de papel cair numa urna física, a ser usada para conferência. Nunca, nunca, nunca um sistema puramente eletrôico. Ou seja, é o que a comunidade de tecnologia vem falando há anos, apesar das tentativas de silenciamento do TSE. Não é coisa de maluco, não é coisa de paranóico, não é coisa de quem não sabe perder. É porque eleições são uma coisa importante demais para serem deixadas a cargo dessa caixa preta que é o sistema brasileiro.